Que
pergunta mais estranha, meus sentimentos por você.
Quero
ir a sua casa, colocar Pink Floyd no volume mais alto possível, queimar o
quadro do Sewn Deep, esfaquear o sofá e
travesseiros, quebrar os pratos de vidro marrons na parede do banheiro, enfiar
a guitarra na tela do computador, derrubar vinho barato no tapete. Pausa. Fumar
um cigarro seu, observar sua expressão tranquila, prender em um coque meus
cabelos desgrenhados e suados. Voltando. Derramar xampu no gato antipático, derreter
as canetas de colorir no micro-ondas, derrubar a estante de livros ruins,
quebrar a janela, jogar suas roupas na privada, ligar o chuveiro, derrubar as
cinzas na cama. Basta.
Você
segura meus braços, tento acertar um soco no seu olho castanho, não consigo,
minhas unhas pretas desbotadas arranham seu peito. Sangue. Você me empurra, eu
caio, bato a cabeça no criado mudo, você me abraça, eu choro, você me beija, eu
deixo. Abraço, você chora, deitamos no chão molhado e fazemos sexo no mesmo
ritmo desesperado da música, medo de perder qualquer segundo. Acabou. Começa
Goodbye Cruel World, minha visão entorpecida, cabeça doendo, não consigo
desviar os olhos dos seus. Você quer descansar, não consegue se fechar para
mim, a música acabou. Peguei sua camisa verde xadrez amassada, minha calça
jeans, me cobri e fui sem uma palavra.
No
dia seguinte minha campainha grita, você.