terça-feira, 29 de março de 2011

Chaves Trocadas



Todos andam com um chaveiro, muitas vezes eu troco a chave, fico confusa e acabo frustrada no lugar errado. Não me sinto em casa aqui, pareço um fantasma que não tem onde se deitar nas noites quentes de domingo. São as faces de coisas ou de pessoas conhecidas que nos fazem sentir confortável quando encaramos o novo, me deixa triste olhar em volta e não ter segurança, desamparo. Um dia eu estava tão afoita em abrir a porta que um papel saiu da minha bolsa, fiquei nove segundos olhando, ele voou até cair e eu me dar conta do que estava fazendo. Hoje, eu não perceberia. Sempre escuto que casa é onde você deixa seu coração, mas o meu está desnorteado, deveria começar a leva-lo comigo.

Meio tarde para isso, não tenho mais controle, mas ele bem que podia aprender a se comunicar. Na realidade eu que devia entendê-lo ou não ignorá-lo, fazer o que o instinto está falando baixinho no meio de inúmeros pensamentos sobre as infinitas possíveis consequências dos meus atos. Bastante complicado. Uma vez eu consegui e o coração tinha razão, ele vê mais que meu consciente. Eu não imagino que base meu cérebro usa para definir o que importa, mesmo estando presente em toda a construção dela. Tudo muda o tempo todo.

Tem ocasiões em que eu me descubro com a chave teoricamente certa, a que eu queria, na porta errada. Tenho que me conformar, porque há momentos que onde eu queria ir não é onde eu preciso estar e só descubro isso depois. Nada é muito como esperamos, desprendimento da paranoia de antecipação. É simplesmente diferente, no fim das contas, quem escolheu estar lá fui eu. O que me levou até aqui já não lembro mais, agora que a porta se fechou atrás de mim, tento encontrar algo comum que me guie na jornada de desvendar o incógnito. Ligo o ventilador, o humidificador de ar e encontro um  lugar para deitar e dormir com sossego.