Todos andam com um chaveiro, muitas vezes eu troco a chave, fico confusa e
acabo frustrada no lugar errado. Não me sinto em casa aqui, pareço um fantasma
que não tem onde se deitar nas noites quentes de domingo. São as faces de
coisas ou de pessoas conhecidas que nos fazem sentir confortável quando
encaramos o novo, me deixa triste olhar em volta e não ter segurança,
desamparo. Um dia eu estava tão afoita em abrir a porta que um papel saiu da
minha bolsa, fiquei nove segundos olhando, ele voou até cair e eu me dar conta
do que estava fazendo. Hoje, eu não perceberia. Sempre escuto que casa é onde
você deixa seu coração, mas o meu está desnorteado, deveria começar a
leva-lo comigo.
Meio tarde para
isso, não tenho mais controle, mas ele bem que podia aprender a se comunicar. Na realidade eu que devia entendê-lo ou não ignorá-lo, fazer o que o
instinto está falando baixinho no meio de inúmeros pensamentos sobre as
infinitas possíveis consequências dos meus atos. Bastante complicado. Uma vez
eu consegui e o coração tinha razão, ele vê mais que meu consciente. Eu não
imagino que base meu cérebro usa para definir o que importa, mesmo estando
presente em toda a construção dela. Tudo muda o tempo todo.