- Estava me sentindo sozinha, fazia tempo que
não lia um livro – disse ela, sentindo o vento balançando seus cabelos
castanhos pela grama.
- Agora não está mais? – perguntou ele sem se mover,
olhando para o céu.
- Ainda estou.
- Eu também.
- Aquela nuvem não parece um tigre pulando?
- Sim – respondeu abrindo um sorriso juvenil,
esquecendo a vergonha que tem dos dentes – Está começando a chover.
- Quer ir embora? – fitou-o como se fosse a primeira
vez, reparando nos detalhes. Sem desejar sua boca formou um meio sorriso tímido.
Ele a olhou de volta longamente com uma feição
atenciosa e relaxada. Ela sentiu-se desconcertada, mas já estava mergulhada
naquelas faíscas douradas que se misturavam ao verde dos olhos dele. Aquela mão
um pouco áspera, mas cuidadosa foi de encontro à dela. Ficaram ali por mais
alguns minutos, sentindo aquele cheiro de grama molhada.