Talvez seja a tentativa de homeopatia desse mês ou
você. Perdi o embaraço, tudo é claro e simples, o charme foi embora. A
impressão é que eu vou me entupindo de coisas desesperadamente por medo de
acabar vazia. Tenho urgência em cuidar de todos que tem meu carinho, quero
resolver os problemas do mundo rápido. Os mistérios e histórias de boteco estão
se espaçando aos poucos e eu aqui, tentando me agarrar à marca de batom
vermelho no copo de cerveja e aos sotaques estrangeiros. Aos poucos me acostumo
com o canto dos passarinhos e com os insetos ao meu redor, mesmo não sendo o
futuro que eu quero. Depois de tantos planos rasgados e jogados ao vento, o
desânimo está me alcançando, contudo ainda faltam uns quarteirões. O cansaço
vem de tentar apoio onde eu nunca tive e principalmente de buscar sozinha algo
que eu objetivei sozinha.
Ultimamente perdi a capacidade de me apaixonar. Todos
meus relacionamentos podem se resumir a primeira conversa quando extrapolada
para atos drásticos. Desde o começo tudo o que seria estava lá, eu só não
sabia. Agora fico me limitando a prever o que vai acontecer, dou uma chance,
mas com um pé atrás. Prometo que não comparo todos esses encontros com você, eu
mergulho no momento, mas falta aquele sentimento de que eu conheço aquele
garoto desde que nasci. Eu não entendo o que está por trás daquelas palavras
tímidas, daquele toque demorado sobre meu joelho listrado, daquele cabelo com
poucos fios brancos se destacando jogados para trás. Quando conheci você, não
que pudesse adivinhar todos os significados dos seus atos, eles são
moldados por histórias que eu não sei, mas simplesmente sabia quem você era e
tive completa certeza de que era recíproco.
Estou afastando os pensamentos sobre o que eu acho de
você agora, prefiro descobrir daqui a pouco. Também deixo guardada em uma
caixinha bem escondida a ideia de que eu não consigo me apaixonar porque eu já
estou. Amaço até o máximo aquele papel com palavras cheias de camadas de tinta
da mesma caneta dizendo que meus planos só vão dar certo se forem nossos. Não
posso me amarrar a isso agora, provavelmente nem depois. Brigo com a minha
esperança prevendo a decepção. É aquela velha história de infância, o vento
bate em duas pessoas ansiosas a beira da piscina. Eles se olham longamente, o
sinal de positivo aparece com um leve movimento de cabeça e é correspondido,
chegou a hora. O medo é ter que olhar para trás e o anseio é sorrir
ensopada para o lado.