Ela ouve o cigarro queimar entre seus dedos enquanto
pensa como está procurando há tanto tempo alguém para cuidar dela se ela mesma
não o faz. Grilos ou sapos, a única coisa que escuta, não está habituada a
natureza, não sabe diferenciar. Ah, carros com música ruim, conversas gritadas
pela metade, passos inseguros e garrafas quebradas. Isso sim é habitual. O céu
sem estrelas ou lua. Para onde foram aqueles prédios cinzas? Apaga o cigarro
naquele vazio de planta que alguém cortou há pouco. Esconde a bituca embaixo
das pedras brancas tomadas por formigas e terra escura. Ser encaixada ao plano
não chega nem perto do bastante. Ela queria largar tudo, planejar junto de novo.