quarta-feira, 7 de março de 2012

Interior

Ela ouve o cigarro queimar entre seus dedos enquanto pensa como está procurando há tanto tempo alguém para cuidar dela se ela mesma não o faz. Grilos ou sapos, a única coisa que escuta, não está habituada a natureza, não sabe diferenciar. Ah, carros com música ruim, conversas gritadas pela metade, passos inseguros e garrafas quebradas. Isso sim é habitual. O céu sem estrelas ou lua. Para onde foram aqueles prédios cinzas? Apaga o cigarro naquele vazio de planta que alguém cortou há pouco. Esconde a bituca embaixo das pedras brancas tomadas por formigas e terra escura. Ser encaixada ao plano não chega nem perto do bastante. Ela queria largar tudo, planejar junto de novo.