Luzes vermelhas queimam as verdes, misturam o asfalto quente com as poucas árvores. O amarelo
pisca, vai e volta nos meus pensamentos. Eu fumo sozinha na
janela da sala, lendo a vida do Nelson Rodrigues sob luz fraca dos semáforos. Movimentos
lentos. Você chega e tira uma foto analógica. A cerveja escorre no
papel e na minha perna fazendo o lugar das lágrimas que não caem há tempos. Fico
imaginando situações. A morte. Para testar minha reação se algo acontecer,
mas nada. Não tenho do que reclamar e a falta de tragédias faz falta. Assim poderia
justificar minha personalidade triste, ansiosa, folgada e desmotivada. A falta
de pressão se torna mais motivo para ser fraca e deprimida. Comprei
uma rosa branca para ninguém.