Não é por você, não é por
ninguém. Faz um tempo que tento esconder, mas perdi a esperança nas pessoas.
Não quero conhecer ninguém novo, dá tanto trabalho e as últimas vezes foram uma
decepção tão grande que eu deixei de ter vontade. Sempre tive a ideia de refrescar
a cabeça, pensar diferente e tudo mais. Só que das últimas vezes as pessoas não
me acrescentaram nada de incrível, para quê eu vou conhecer alguém que não é
incrível? Menos que isso é tão pouco que não vale nem levantar da cama. Posso
estar enxergando as coisas com muito pessimismo, mas estou me deixando levar
por enquanto. Não sou misantrópica, só acho agora que as pessoas e ideias ao
meu lado me bastam, aliás, me sobram, me transbordam.
Depois, imagina só eu me
explicando pra alguém que não me conhece, cada pedacinho. Oi, bom dia, sou
dramática e exagerada, não me leve a sério hoje. Oi, estou olhando assim porque
eu quero um abraço urgente e não consigo emitir nada além de grunhidos. Oi,
preciso conversar olhando para a vida dos vizinhos pela janela. Oi, se baseie
no meu histórico e leia minha mente. Sei que é comodismo, mas ele é tão
confortável, quentinho e macio.
Então, só para avisar o mundo, estou no meu quarto, enrolada no edredom, em posição
fetal, com uma garrafa de coca, uma barra de milka, uma bandeja de pão de
queijo com requeijão e uns gurus indianos que vão se comunicar por mim de 12 em
12 horas. Todos nós vamos sair daqui a pouco. Enquanto isso, please, do
not disturb – only for strangers.