segunda-feira, 18 de abril de 2011

No meio do caminho

Tropecei, caí em queda livre, minha visão era entorpecida pelas faíscas de luz. Agora não tinha o que fazer, o dia estava determinado, pelo menos cair é algum movimento, melhor que ficar parado. Acabei ficando tão confusa, não percebia o que estava acontecendo, devo ter apertado meu botão de piloto automático quando vi aquela pedra.
         Andando do lado errado da calçada, notei, mas não falei nada, estava difícil me comunicar. Pensei naquela conversa de que as memórias travam as pessoas, você fica aprisionado a ela e não segue em frente, são sujeiras grudadas no cérebro. Discordo. Quando for o tempo certo, a memória vai ser absorvida e se tornará parte das inúmeras células que compõem seu corpo, trazendo mais força e confiança, mas só no momento que estiver cicatrizada. O problema não é a pedra, o que faz você tropeçar é você, a falta de querer ver o que está no caminho que de um jeito ou de outro vai fazer parte de você. Passo otimismo para os outros e não guardo nenhum.
         Não sei o que é pior, a desvalorização ou a esperança da valorização. Os dois quando se encontram é igual Mentos com Coca-Cola, explosão na certa. Tentando ignorar danço ao som dos fones de ouvido, aquela música me alegra, discretamente passo para o lado certo. Que vontade de ser criança que deu, vou me esconder atrás da escada, espero o tempo de mãe preparar uma vitamina de mamão com banana e apareço, junto comigo vem àquela risada tão natural e inocente, há tempos não ouvia.
         Preciso de uma conclusão, mas acho que aquele lanche de frango com mussarela de búfala foi demais para mim. Continuo caindo, com as feridas abertas ardendo à medida que o vento bate com vestígios de poeira. Estou vivendo em volta de muito pó, está me fazendo mal. Quero ir para onde a grama é verde e o ar é limpo. Finalmente, consigo ver, fecho os olhos e me esforço ao máximo para não esperar mais nada, sei que chegou ao fim e quando ele chega tudo dá certo.