Cada vez mais afastada. Um passo sem olhar para trás, uma rua
atravessada sem ninguém guiando, um gole de refrigerante que recusei e por aí
continua a tentativa de diminuir as ligações que me prendem a você. Chega a um
ponto que tiro suas mãos doces de mim, não é isso que eu preciso agora. Você
inteiro, com aquela energia, a risada que continua até bem depois da piada, as
conversas sem começo nem pé nem fim nem cabeça. Isso faz falta. Não me importo
com o resto, só quero o natural, que você goste de mim sem pensar nas
consequências, estamos sozinhos.
Você vai andando
rápido na frente, eu coloco o fone de ouvidos, você briga com a minha família,
eu fico parada, você dorme, eu escrevo. Todo dia algum fala em acabar com tudo
e o mesmo que começou com a ideia termina, depois de alguns segundos de observação
dos olhos. Sim, a gente se enxerga. Depois fica tudo bem, para no dia seguinte,
tudo em direção ao nada de novo, basta um espirro, tudo voa e se perde.
Agora eu começo a
andar na frente como se eu soubesse os caminhos desses becos forasteiros e
medonhos que você me traz. Quero uma luz suave beijando meu rosto, acompanhada
por um vento sutil e cores, muitas delas. O mundo dentro de mim já é B&W e
frio demais. Muito, em incontáveis sentidos, preciso de sossego, amenidade e
segurança. Acelero o passo, mas deixo a mão propositalmente jogada para trás,
bem na altura da sua.