quinta-feira, 21 de julho de 2011

Berinjela

Cansada, a dor nas costas me faz deitar no taco de madeira frio e duro. Tento me acertar. Penso em dormir, mas saber que vou acordar para o dia seguinte me desanima, procuro um porto. Como eu queria você aqui comigo tomando chá, eu faria uma lasanha de berinjela. Esqueci que berinjela não lhe agrada. Você sai e só volta bem tarde, até eu cansar de esperar e perder o ânimo até de me preparar para dormir, fecho os olhos desajeitada, tarde demais. A ficção se aplica.
O despertador começa a gritar cedo, quero mais dez minutos. Olho o espelho, acho que não fiz isso ontem, só agora vejo como minha aparência está ruim. Não durmo, não como direito, não várias coisas. Passo maquiagem e chego atrasada. Tento esboçar um sorriso desejando bom dia, mas sem acreditar que esse cumprimento proceda. Os ponteiros do relógio se arrastam até que eu volto para o ponto de ônibus. Invento conversa com uma moça simpática, fico preocupada pelas pessoas com asma que fumam. Esse foi o ponto alto do dia.
Volto para o carrossel, a essa altura meu joelho também dói, não quero fazer cirurgia. Luzes e cores para todos os lados, mas elas não estão comigo, estão girando e eu não consigo alcança-las. Quero soltar minha âncora, mas continuo sem ter onde descer e descansar. Ouvi uma conversa de acordar mais cedo para meditar, parece uma boa, faz tempo que eu não acho espaço para organizar minhas conexões, nem sei mais para onde estou indo. Parece que é para nenhum lugar, vejo os mesmos movimentos martelando e me levando para os repetidos que já entediaram, parece que meu cérebro não trabalha mais.

Como será que a centopeia entrou no quarto? Tento me distrair com isso, mas não persiste por muito, voltei para o estado misantrópico habitual. O problema tem que ser eu que procuro pelo em ovo e acabo encontrando. Só pergunto quem os colocou lá. Agora ele incomoda e me destrói aos poucos. Não tenho mais animo para tentar resolver, pareço sozinha, conversando só com o quadro do John Lennon na parede da sala. Preciso de ajuda rápido, mas não a que quer resolver tudo em uma tacada, é a presente e paciente, me mostrando aos poucos acontecimentos diferentes.