Eventualmente a pedra acaba furando, tudo tem limite.
Faz-me lembrar das antigas pragas de mãe, bem que ela avisou, enxergou enquanto
eu estava envolvida pelo seu cheiro. Surge aquele medo, depois o raciocínio me
conforta, o que mais pode acontecer. Já pulei completamente desprotegida, como
as crianças confiando que o amigo também vai pular na piscina, senti aquela
água gelada encostando-se aos meus olhos.
Com esforço arranco aquela lembrança solitária,
incompleta, mas feliz em inúmeros momentos. Aparentemente eu sou incompetente
nisso agora ou quero ser. Não havia nada a ser esperado. Eu vou chegar a algum
estado que me equilibra de novo, porem, todo esse processo me parece muito
cansativo, meu olho direito até pulsa só em imaginar passar por isso mais uma vez.
Fui levada e deixei sem importar, agora me sinto esparramada no desconhecido e
inseguro.
Tento de última hora colar as lascas que caíram no
chão, não consigo que tudo volte para o lugar e essa deformidade cresce e me
engole. Estou dentro da peça disforme e oca, o silencio cresce junto com o
ritmo da minha respiração. O diferente tem que ter algo de bom, deve ter algum
provérbio chinês que diga isso e eu acredito.