Vamos ficando mais tolerantes com o tempo. É só olhar
todo aquele desespero pelo barco afundando na tempestade dentro do copo d´água,
parece tão simples resolver problemas agora. Para falar a verdade, as confusões
de antes, nem lembro, elas se tornaram tão pequenas que sumiram. Só os atuais
parecem impossíveis, mas vamos ficando menos ansiosos, as coisas se tornam
menos emaranhadas. Não sei se sou muito jovem para falar assim, mas tudo se
aprende com o tempo, o melhor é deixar fluir. A confusão na minha cabeça se dá
pela falta de foco, quero abraçar tudo e nada sai bem feito, contradição. O
importante é fazer o que faz sorrir, com ele vem os outros sonhos se
atropelando para ver qual se realiza primeiro.
Passou o tempo e eu queria conversar com você, não sei
como vai ser, mas me falta alguém que pense do seu jeito. Mesmo sem nos
entender completamente, nada foi besteira nem perda de tempo. Queria alguém que
sorrisse mesmo triste, uma falsidade complacente, que pensasse no que não
importa para maioria. Eu ainda não sei o que fazer, tanto passou. Parece tão
fácil para os estranhos nas filas. É chato como falam o tempo todo delas
mesmas, pedindo ajuda ou só falando, quando penso nisso vejo que faço coisas
repetidas, sou chata. Olhando a apenas duas faixas cheias de carro de
distancia, nada de terrível está acontecendo e com a minha mania de exagero,
pareço uma palhaça se esforçando para aparecer mais dentre as atrações. Eu não
queria saber de você, nem que você soubesse de mim, prefiro conversas sobre
tudo e nada. Não quero detalhes ou precisão, só uma mistura de universos que
criam o novo.
Sorvete de limão, copo de coca e horizonte. Quem sabe
assim eu descubro. De tempos em tempos penso no meu professor de literatura da
escola, dançando ao ritmo que ele mesmo se propunha, dizia que eu cintilava.
Parece que com os Dias das Bruxas que vão e vem eu não sei onde procurar. É
informação divulgada abertamente no meu círculo social que sempre perco coisas,
sou distraída, perco ideias, pessoas e objetos, nada escapa. Fico olhando atenciosamente
os outros, vejo muitos olhos com variações da mesma cor e ás vezes com pequenas
fagulhas douradas, fico tanto tempo concentrada que dá a impressão que entrei
no cérebro deles a procura, sempre a procura, e de supetão bate a verdade que
sucessivamente esqueço. Ela dá tanto trabalho e cria uma hipocrisia
insuportável no ato de continuar arremessando minha culpa a conceitos feitos ou
a pessoas.